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Flores raras e banalíssimas

Era dezembro do ano de 1951, Nova York.
Elizabeth Bishop é uma poetisa insegura e tímida, que apenas se sente à vontade ao narrar seus versos para o amigo Robert Lowell. Em busca de um sentido para sua vida em crise, planeja uma viagem e, no Rio de Janeiro, ao passar uns dias na casa de uma colega de faculdade, Mary, conhece a paisagista e urbanista brasileira Lota de Macedo Soares. A princípio Elizabeth e Lota não se dão bem, mas logo se apaixonam uma pela outra. É o início de um romance acompanhado bem de perto por Mary, já que ela aceita a proposta de Lota para que adotem uma filha.

A estadia de Elizabeth Bishop acaba se prolongando por 16 anos!


Em Flores raras e banalíssimas, Carmen L. Oliveira conta a história do relacionamento entre a poetisa americana e a paisagista e urbanista brasileira. Assumindo a homossexualidade com surpreendente naturalidade para a época, Lota e Bishop viveram um irradiante e, muitas vezes, conturbado romance, sempre cercadas de figuras marcantes da arte e da política.

Uma história real de encontro de vidas e do amor, um livro sensível e muito bem escrito e uma adaptaçãp para o cinema por parte de Bruno Barreto também primorosa.

Vidas são flores que desabrocham, encantam, colorem o mundo. O amor traz mais sentido a tudo isso. No meio de tanta cultura de ódio, repensar nossa vida como flores é urgente. Somos todos flores raras e banalíssimas. Nossa existência pode alegrar e iluminar ou entristecer e murchar. Pode ser efêmera como uma rosa ou efêmera como uma orquídea. Podemos produzir sementes e espalhar nosso DNA (físico, emocional ou espiritual) por aí ou podemos morrer na solidão de um deserto. Em nossa existência, somos flores brancas que transmitem paz, flores amarelas que transmitem energia, flores rosa que transmitem delicadeza e carinho, flores vermelhas de paixão. A cada dia, semana, mês ou ano podemos nos reinventar e eleger qual flor queremos ser, e com qual cor queremos vestir nosso ser. Somos raros em nossa significância e somos banais em nossa insignificância. A dualidade enfraquece e fortalece. Ganhamos e perdemos todos os dias e só teremos o desabrochar da flor se nos permitirmos.

“A arte de perder não é nenhum mistério
Tantas coisas contêm em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subsequente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio da mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudades deles. Mas não é nada sério.
Mesmo perder você (a voz, o ar etéreo, que eu amo)
Não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por muito que pareça (escreve) muito sério.”

Elizabeth Bishop



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